sábado, 12 de fevereiro de 2011

Cinema: Estreia "O Discurso do Rei", campeão de indicações ao Oscar

O rei britânico George VI (1895-1952), pai da rainha Elizabeth II, era o segundo filho de George V. Nesta condição, esperava-se que tivesse posição apenas decorativa na vida política do Reino Unido, participando de atividades beneficentes, mas afastado do cotidiano do país. Uma das mais célebres histórias de amor do século 20 – a paixão do irmão mais velho de George, Edward VIII, pela americana Wallis Simpson – acabou por levá-lo ao trono: Edward abdicou em 11 de dezembro de 1936, menos de um ano depois de se tornar rei. E o tímido e despreparado George, que teria preferido ficar em casa cuidando de seus selos, tornou-se monarca britânico num dos momentos mais conturbados da história do país.

Os primeiros meses do reinado de George VI não foram fáceis. Em todo o Império Britânico crescia o descontentamento em relação à submissão ao Reino Unido, o país se sentia incomodado com a recente crise dinástica e suas possíveis consequências constitucionais, e se dividia em relação à política de apaziguamento com a Alemanha nazista, sustentada pelo primeiro-ministro Neville Chamberlain. Então veio a Segunda Guerra Mundial. E George VI e sua mulher Elizabeth (1900-2002) se converteram no símbolo da resistência dos britânicos. Recusaram-se a deixar Londres durante os bombardeios nazistas, impuseram a suas famílias e pessoal o mesmo racionamento que todos os cidadãos do país enfrentaram, dedicaram-se integralmente a manter o ânimo do povo.

Confira os horários e onde está passando O discurso do rei

Como consequência desse esforço, a memória de George VI enfrenta uma contradição. De um lado, é visto como o monarca em cujo reinado o império britânico começou a se esfacelar e em que o Reino Unido se tornou potência de segunda grandeza, superado pelos Estados Unidos e a União Soviética. Por outro, continua sendo o mais admirado soberano inglês do século 20, praticamente venerado pelos britânicos juntamente com a mulher, a quem o povo chamava, carinhosamente, “queen mum” (“rainha-mamãe”, em vez do “rainha-mãe”, que geralmente designa as viúvas dos reis).

LEIA A CRÍTICA DO FILME

Fascínio pela monarquia
O Discurso do Rei revela, mais uma vez, o fascínio que a Academia de Hollywood sente pela monarquia. Está indicado ao Oscar em 12 categorias: Filme, direção, ator (Colin Firth), atriz coadjuvante (Helena Bonham Carter), ator coadjuvante (Geoffrey Rush), roteiro original, montagem, trilha sonora, direção de arte, figurino, fotografia e mixagem de som. Ao longo de sua história, o Oscar dedicou particular atenção a filmes inspirados em episódios da vida dos reis e rainhas britânicos, tendo concedido prêmios a muitos deles. É fácil encontrar nas locadoras bons exemplos dessa história de amor:

Elizabeth II – A rainha, de Stephen Frears (2006) – Oscar de atriz (Helen Mirren) e outras cinco indicações
Victoria – A jovem rainha Victoria (2009) – Oscar de melhor figurino, duas outras indicações
George III – As loucuras do rei George (1994) – Oscar de direção de arte, três outras indicações
Elizabeth I – Elizabeth – A era de ouro (2007) – Oscar de figurino e mais uma indicação; Elizabeth (1998) – Oscar de maquiagem, outras seis indicações.
Henrique VIII – O homem que não vendeu sua alma (1966) – 6 Oscars, inclusive filme, diretor (Fred Zinnemann) e ator (Paul Scofield), e outras duas indicações.
Henrique V – Henrique V (1989) – Oscar de figurino e outras duas indicações. Henrique V (1944) – Oscar especial para Laurence Olivier pela direção, produção e interpretação do filme, e quatro outras indicações.
Henrique II – O leão no inverno (1968) – Três Oscars, inclusive atriz (Katharine Hepburn), e outras quatro indicações.

Nenhum comentário:

Postar um comentário