domingo, 27 de fevereiro de 2011

Tristeza: Morre aos 73 anos o escritor Moacyr Scliar

Faleceu neste domingo (27), à 1h da madrugada, aos 73 anos, o escritor gaúcho Moacyr Scliar, de falência múltipla dos órgãos. Ele havia sofrido um AVC (acidente vascular cerebral) em 16 de janeiro enquanto se recuperava de uma cirurgia no intestino.
Scliar é velado desde às 14h,  na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. O sepultamento será na segunda-feira (28) pela manhã, em cerimônia reservada a familiares e amigos.

Moacyr Jaime Scliar nasceu em 23 de março de 1937, em Porto Alegre. Era casado com Judith, com quem teve um filho, Roberto. Seus pais, José e Sara Scliar, oriundos da Bessarábia (Rússia), chegaram ao Brasil em 1904. A mãe, professora primária, foi quem o alfabetizou.


Scliar formou-se médico pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1962. No mesmo ano, publicou seu primeiro livro, "Histórias de médico em formação", coletânea de contos baseados em sua experiência como estudante. O escritor fez residência Santa Casa de Porto Alegre, onde se especializando como médico sanitarista.


Em 1968, publicou "O carnaval dos animais", que considerava de fato sua primeira obra. Em 1969, assumiu o cargo de chefe da equipe de educação em saúde da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul. No ano seguinte, iniciou um curso de pós-graduação em medicina comunitária no Instituto de Seguro Médico de Israel. Em 1971, lançou seu primeiro romance, "A guerra no Bom Fim", um dos mais importantes de sua carreira.


Integrante da Academia Brasileira de Letras desde 2003 e vencedor de quatro prêmios Jabuti (1988, 1993, 2000 e 2009), o escritor publicou mais de 80 livros entre diversos gêneros literários: romance, crônica, conto, literatura infantil e ensaio. Em 2005, lançou pela Editora Ágora "O olhar médico - Crônicas de medicina e saúde" (184p., R$ 39,00). A obra trata de temas do cotidiano, como alimentação e exercícios físicos, sobre questões de saúde, como dor e consumo de remédios, e temas existenciais profundos como velhice e morte.


Scliar acreditava que a literatura, ao menos a autêntica, versava, na maioria das vezes, sobre a condição humana, suas ansiedades, medos, paixões. "O humano está presente em tudo, mas revela-se sobremaneira na doença e nas experiências com a morte, talvez a maior angústia humana. "O medo de morrer e o sofrimento causado pela doença nos fazem mais frágeis e nos tiram as máscaras que usamos em nosso dia-a-dia", dizia.


Com elegância e bom humor, duas qualidades do seu inconfundível estilo literário, as obras de Scliar tiveram forte influência da literatura fantástica e da tradição judaica. Seus livros frequentemente abordam a imigração judaica no Brasil, mas também tratam de temas como o socialismo, a medicina e a vida da classe média. A obra de Scliar já foi traduzida para doze idiomas. Algumas delas ganharam adaptação para o cinema, televisão, rádio e teatro, inclusive no exterior.

Nenhum comentário:

Postar um comentário