quarta-feira, 15 de junho de 2011

Crítica: "X-Men: Primeira Classe" (X-men: First Class), 2011

Com uma campanha publicitária morna, é incrível que X-men: Primeira Classe tenha agradado tanto. Mesmo conferindo todos os posters, vídeos e novidades da produção, não conseguia criava expectativas em relação ao filme, principalmente por ter na direção Mathew Vaugh, diretor que até aqui não me convenceu com seu Stardust e a adaptação de Kick-Ass.

Mas X-men primeira Classe é um filme de potencial, embora penando em alguns aspectos técnicos, possui um roteiro que o difere das atuais adaptações de quadrinhos. Sua maturidade.

Para os ainda desavisados, o filme é um prequela da trilogia X-Men. Se passa na década de 60 e mostra Charles Xavier, ainda jovem, buscando entender mais sobre a natureza de sua raça mutante, ao passos em que Erik (O magneto), agora adulto, busca vingar a morte de sua mãe, assassinada durante a segunda guerra por Sebastian Shaw, que para provar a superioridade de sua espécie, pretende provocar uma terceira guerra mundial entre os EUA e a Rússia.

O didatismo sem ofegar a diversão
Pouquíssimos filmes conseguem conciliar o didatismo com a diversão, e um dos grandes méritos do longa é a forma como vincula estas duas questões sem precisar forçar a barra no quesito politicagem, como foi no caso de X-Men 2 e X-Men: O Confronto Final.

Há de fato uma politicagem aqui, mas ela é introduzida de forma natural, já que a trama se passa na década de 60 (alternativa pela tecnologia) à beira de uma terceira guerra mundial.

Escrito a seis mãos (milagre que tenha dado certo), o filme se desenrola com inteligência, ganhando destaque também em seus diálogos - dificilmente soando surreais ou fora de ocasião (As conversas de Xavier e Magneto são as melhores).

Interpretes e seus personagens
Outro destaque fica por conta do novo elenco, encabeçado pelos ótimos James McAvoy (Charles Xavier) e Michael Fassbender (Erik). Os dois são responsáveis também por conduzir os jovens mutantes, Mística, Fera, Destruidor, Banshee e Angel. Do lado negro da força temos Kevin Bacon, encarnando o líder do clube do inferno - Sebastian Shaw, e sua trupe de paus mandados Emma Frost (January Jones), Azazel e Riptade.

Quase todos os personagens são devidamente apresentados, mas poucos realmente explorados. Apesar disso, nenhum (fora Riptade) é dispensável a trama, todos acrescentam o que têm a acrescentar, ganhando apatia ou empatia do público.

Sem óculos de Sol
Aqui eu nem preciso detalhar muito né? Fico feliz que a produção tenha optado em não lançar no formato 3D. Ate porque, analisando o filme, não há cenas que justificariam o uso dos óculos - O bolso agradece.

Faltou Grana
Apesar do sucesso de público que teve X-Men Origens: Wolverine, é estranho que a Fox tenha fechado a mão na hora de investir no novo projeto. Com a contratação de alguns profissionais, imagino que tenha sobrado pouquíssimo para os efeitos especiais.

Em quesito efeitos especiais, X-Primeira Classe é fraco, ficando atrás se comparado as recentes produções do gênero. Não há nada de tão escandaloso, mas alguns efeitos chegam a beirar a série de televisão.
Claro que no caso do filme efeitos não são o fator determinante, ate porque o foco é na história em si e não na pancadaria. Mas poderia ser melhor.

Uma batalha final não tão épica assim
Outro ponto mal aproveitado foi a batalha final. A tensão que precede o confronto entre EUA x Rússia e Mutantes do Bem x Mutantes do Mal é muito bem elaborada, mas a coisa desanima um pouco quando o bicho começa a pegar.

O roteiro e a direção confundem um pouco na hora da batalha naval entre os dois países. Enquanto trocam olhares para ver quem ataca primeiro, rola o embate entre os mutantes do bem e os mutantes do mal. Um embate que infelizmente desaponta pela fraca coreografia e pela inutilidade de alguns personagens (Né, Riptide). Isso também atribuindo a questão do pouco investimento nos efeitos especiais... desanimador.

Por fim, Magneto enfrentando Shaw também não ficou muito legal. Com parte da história focando na vida de Magneto, é fácil entendermos sua revolta, e torcemos para que no fim ele finalmente consiga sua vingança. Quando este momento tão aguardado chega, não empolga, a luta é rápida e acaba num flash, e de forma nada criativa por sinal.

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Acredito que serão poucos a odiar o filme, talvez haja uma certa resistência por parte da galera da HQ, que deve implicar um pouco com a ordem dos eventos. Mas os leigos que só ouviram falar, principalmente aqueles que buscam uma história mais crível ao invés da ação descabeçada, vão adorar o resultado.

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